Há quase sete anos as mesmas ruas, praticamente as mesmas pessoas, a mesma paisagem e o mesmo trajeto.
Moro a cinco minutos da escola em que trabalho, a Escola Estadual de Ensino Fundamental - Séries Iniciais Dr. Breno Oswaldo Ritter. Ah, os cinco minutos são a pé.
Trabalho, neste ano, somente no turno da manhã. Quando saio de casa alguns vizinhos já estão a caminho do trabalho e os que estão em casa continuam dormindo, a rua ainda está silenciosa. Silêncio que só é quebrado pelos “lixeiros” do caminhão de recolhimento de lixo, que passam sempre conversando muito alto, no maior divertimento e pela Dona Irene, que quando encontra alguém na rua logo encontra motivo para grandes gargalhadas. Moradores do trajeto que percorro, encontro só na outra rua, são duas famílias que sempre estão organizando o seu dia-a-dia.
A rua onde moro é uma das principais do bairro, o Bairro Empresa, conhecido como um dos mais perigosos da cidade. Engraçado, moro no mesmo lugar desde que nasci e não o vejo dessa forma. Mas diante do horror da maioria das pessoas, às vezes é melhor dizer que moramos perto da Cootal, uma cooperativa de leite que existe logo no início do bairro.
Na “minha” rua, rua Rockefeller, existem bares, lancheria, mercado, salões de beleza, um campo de futebol, um ferro-velho, uma escola de educação infantil municipal, a antena da aeronáutica e muitas casas de moradia.
Quando saio de casa desço para meu lado direito e na primeira esquina entro a direita, nessa rua, a rua Luis de Carvalho já fica a antiga frente da escola, mas usamos um portão lateral que fica na outra rua, a rua Roberto Halmel.
É nessa rua que sempre encontro pessoas em suas casas, logo na primeira esquina há uma praça, a Praça da Água Mineral, onde há uma vertente, que foi analisada e comprovado que a água que dali verte é água mineral.
Porém ao lado da praça, há um arroio muito poluído, chamado Arroio Sonda.
As famílias que observo nas lidas diárias residem uma de cada lado do arroio e uma de cada lado da rua.
Uma das famílias sempre está envolvida com a organização de roupas no varal, a Dona Catarina deixando as filhas gêmeas prontas para que alguém as leve para a “creche” e saindo com a neta para deixá-la na escola antes de se dirigir para o seu trabalho.
A outra família mora de forma irregular, quase dentro do valo, como o arroio é chamado pelos moradores. Numa casa que foi desapropriada para uma obra de canalização e tratamento do arroio, que, aliás, nunca chegou ao fim, mas o morador antes de sair vendeu essa casa a eles. Vivem ali uma senhora, que acredito ter em torno de sessenta anos, um filho, com uma filha adolescente e muitos outro netos. Eles criam vacas, cavalos, porcos, galinhas, passarinhos e vivem do recolhimento e venda de lixo reciclável. Por causa do lixo mau armazenado, dos animais e do arroio, esse trecho é muito mal-cheiroso.
Nessa altura normalmente há muitas crianças vindo para a escola, saem como formiguinhas de todas as ruas, sempre em grupos.
Caminho mais um pouco, pela rua, pois calçada só a da escola, aliás, a praça também já teve calçada, mas como já foi muito depredada e a prefeitura descuida até mesmo da capina, o jeito é andar na rua mesmo, que graças a Deus no ano passado recebeu calçamento. Nos dias de chuva era quase impossível chegar a escola a pé.
Nessa rua existem apenas casas de moradia, tudo o que já abriu nela, como açougue, lancheria, salão de beleza, bazar, acabou fechando. Mas tem uma roça de cana-de-açúcar, onde também tem um pé de caqui e uma ameixeira, que para a infelicidade dos donos, as crianças mais “arteiras” fazem a festa na saída da escola.
Subindo um poucos mais encontramos as “casinhas populares”, construídas há uns trinta e cinco a quarenta anos. Cinco delas já ficam bem em frente a escola e o fim dessa rua, na esquina da escola, é uma fábrica de produtos alimentícios, onde, quando escutam algum anúncio de festividade na escola, sempre colaboram com alguma coisa.
Entrando a direita logo avistamos o portão e mais alguns passinhos já adentramos a esta escola tão aconchegante:
Comments (3)
Anonymous said
at 5:38 pm on Apr 2, 2007
Oi Cris gostei do teu trabalho, ficou bem claro e fácil de entender. Um abraço.
Anonymous said
at 9:14 pm on Apr 18, 2007
Olá Cristiane!
Que bom que você mora perto da escola, isso facilita muito a vida, não é mesmo?
Olha! Seu pbwiki está ficando bem legal.
Espero que você também dê uma espiadinha no meu.
Um grande abraço.
Cleci
Anonymous said
at 8:10 pm on May 14, 2007
Oi, Cristiani, adorei a descrição do trajeto da escola, cheio de calor humano, nota-se que gosta muito de seu bairro, das pessoas que nele moram e da sua escola. Parabéns!!
Abraços
Maria del Carmen
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